O real desvalorizou mais do que o peso argentino

O real é a moeda que mais se desvalorizou em 2020. Até outubro de 2020, o real já havia perdido cerca de 30% do seu valor em relação ao final de dezembro de 2019. É claro que a pandemia influenciou nesta desvalorização, no entanto, nenhum país teve a moeda tão depreciada como a nossa, isso expôs diversas fragilidades na nossa economia e formas equivocadas que lidamos com crises.

 

Segundo dados do Banco Central [1], o saldo líquido de investimento em portfólio entre janeiro e agosto é negativo em U$S 28,3 bilhões de dólares. O International Finance (IIF) projetou [2] que serão retirados cerca de U$S 24 bilhões de dólares do Brasil em 2020.

 

O real conseguiu ter um desempenho pior que o peso argentino – país que nunca conseguiu estabilizar sua moeda e vem praticando políticas econômicas desastrosas, como tabelamento de preços e expansões contínuas nos gastos públicos. O peso argentino teve uma desvalorização de cerca de 22% de dez/19 até ago/20, frente aos quase 30% do real. 

 

Ao observar o gráfico abaixo, percebemos que as duas moedas tem uma tendência de subida frente ao dólar. Entre meados de fevereiro e meados de junho, o custo de  um dólar passa de R$4,3 para mais de R$5,8. Em seguida teve um redução, mas segue uma tendência de subida. É importante lembrar que essa subida reflete desvalorização da moeda. Ou seja, precisamos de cada vez mais reais (ou pesos) para comprar um dólar. Ainda, observamos que a volatilidade do real aumentou muito e do peso argentino quase nada.

Quando o mundo está mais avesso ao risco, investidores costumam tirar dinheiro de mercados emergentes. Com menos dólares circulando, o preço sobe. Desta forma, quais foram os motivos da grande demanda de divisas do Brasil frente a outras economias?

 

1) Questão fiscal:

 

Assim como vários países. O Brasil abriu as torneiras de gastos para amenizar os impactos da crise na economia. E como já comentei, a dívida pública do país está em uma situação cada vez pior. A previsão é que a dívida bruta do setor público chegue a 100% do PIB até o fim de 2020. A chance de furar o teto dos gastos, a falta de visão unitária sobre a austeridade fiscal do governo, falta de agenda de reformas deixam claro a incerteza e insegurança dos investidores em relação a situação fiscal e econômica do Brasil.

 

2) Juros baixos:

 

Outro assunto é a baixa histórica de juros. Além de ligar o alerta para perigos de inflação no médio prazo, afasta investidores internacionais. O Brasil sempre teve um histórico de juros altos e um mercado de renda fixa bem aquecido. No entanto, com a queda histórica dos juros, muitos investidores retiraram suas divisas do Brasil.

 

Os juros funcionam como um prêmio de risco para investidores internacionais. Ou seja, quanto mais arriscado o país é, maior juros eles devem oferecer para que o investidor aloque seu dinheiro no país. Por que um investidor colocaria dinheiro aqui, se tem uma economia menos arriscada com juros tão baixos quanto?

 

Enfim, são diversos motivos que podem representar a fuga de capital estrangeiro em relação ao Brasil. As duas mais discutidas pelos economistas são as duas acima. No entanto, apesar da primeira ser um consenso absoluto, e a segunda nem tanto.

 

Por fim, reforço a importância das reformas, principalmente a tributária, administrativa e microrreformas, com o objetivo de estabilizar a economia, e assegurar um ambiente de negócios mais atrativo para os investidores nacionais e estrangeiros.

 

Fonte:

 

[1]: https://bbc.in/3pAdq6H

[2]: https://bit.ly/bcdobrasil

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