O pão e circo no século 21

“A ignorância é uma benção para aqueles que detêm o poder, pois mentes desinformadas são mais fáceis de controlar” – George Orwell

A política de “pão e circo” surgiu no final da República Romana, por volta do século II a.C., e se consolidou no Império (a partir de 27 a.C.). Com o crescimento de Roma e o aumento da desigualdade, a plebe urbana, desempregada e dependente do Estado, tornou-se uma ameaça à estabilidade. Para evitar revoltas, líderes como os tribunos da plebe e, mais tarde, os imperadores, implementaram a distribuição gratuita de trigo (Annona), garantindo “pão”, e grandes espetáculos públicos, o “circo”, como corridas de bigas no Circo Máximo e combates de gladiadores no Coliseu (a partir de 80 d.C.).

A expressão foi cunhada pelo poeta satírico Juvenal (Sátira X, c. 100 d.C.), que criticou a apatia do povo romano, dizendo que eles só se importavam com “panem et circenses”, abrindo mão de participação política em troca de conforto e diversão. Durante o reinado de Augusto (27 a.C. – 14 d.C.), o Estado distribuía trigo a cerca de 200 mil cidadãos, e os jogos públicos chegavam a 100 dias por ano sob Trajano (98-117 d.C.). Esses eventos eram caros – o Coliseu, por exemplo, podia receber 50 mil espectadores –, mas mantinham a plebe distraída, enquanto os imperadores consolidavam poder.

É curioso como o tempo passa, mas as situações não mudam!

“Panem” pode ser substituído facilmente pelos contemporâneos programas assistenciais como Bolsa Família, BPC, vale gás, vale eletricidade, pé de meia e tantos outros subsídios populistas.

“Circenses”, nada como um show da Lady Gaga ou Madona em Copacabana, a pornografia, as drogas, as Bets, para distrair o povo dos escândalos, desvios, roubos e deboches da classe política.

Assim como em Roma, a desigualdade no Brasil se agrava com desemprego, violência e falta de educação, perpetuando um ciclo de dependência estatal.

Mas nada é de graça, tudo tem um preço que invariavelmente é muito alto, neste caso, “abrindo mão de participação política em troca de conforto e diversão”

A alienação alimentada pela satisfação do pão e circo é tudo que, aqueles que tomaram o poder, precisam para se perpetuar no conforto.

A ironia contemporânea é que, quem financia os programas “Gratuitos”, é o próprio beneficiário, não tem almoço grátis.

Definitivamente, “A ignorância é uma benção” e só o conhecimento e a consciência liberta.

 

Leia também

Newsletter

Receba os artigos em primeira-mão na sua caixa de entrada.