O Círculo Virtuoso da Liberdade Econômica com a Educação de Qualidade

Reflexões sobre desenvolvimento, ambiente de negócios e o papel da educação

Recentemente, ao participar de um podcast, criei uma polêmica bastante saudável ao discutir o papel da educação e da liberdade econômica no desenvolvimento do Brasil.

Durante o podcast, o entrevistador afirmou: “Se o Brasil tiver 50 anos de educação de alta qualidade, teremos resolvido os problemas do Brasil!”.

Em resposta, destaquei que, embora a educação seja fundamental para o desenvolvimento, ela não é suficiente.

Argumentei que, além de investir em educação, o Brasil precisa criar um ambiente de negócios favorável, desburocratizar processos e abrir mercados, promovendo a tão necessária liberdade econômica.

Afirmei que a revolução industrial precedeu a existência das universidades especializadas em engenharia mecânica, têxtil, química, siderurgia e termodinâmica. Foi a necessidade de mão de obra qualificada que impulsionou a criação dessas instituições de ensino.

Os cortes do podcast foram ao ar e a polêmica se intensificou.

Muitos compreenderam minha linha de raciocínio e elogiaram minhas colocações. Contudo, aqueles que discordaram, em vez de argumentar com dados ou outras perspectivas, optaram por hostilizar e zombar, demonstrando arrogância.

Minha argumentação era simples: investir em educação não basta se não houver um ambiente propício para que os formados possam aplicar seus conhecimentos e desenvolver seus talentos. É mais vantajoso para uma nação promover liberdade econômica do que apenas ampliar o acesso universitário.

No Brasil, muitos jovens talentosos acabam migrando para países com ambientes de negócios mais livres, onde têm maior oportunidade de gerar valor.

Há exemplos de países que investiram muito em educação, mas restringiram completamente o ambiente de negócios e a liberdade econômica, como a antiga União Soviética, Cuba e Alemanha Oriental.

Apesar de conquistas científicas, como enviar satélites ao espaço, esses países não conseguiram produzir bens essenciais para a população.

A relevância estratégica da educação para o crescimento e inovação é indiscutível. No entanto, é preciso reconhecer que a iniciativa prática, o desejo de criar e o empreendedorismo vieram antes das escolas e universidades.

Essa é uma visão estratégica para o desenvolvimento nacional e talvez um dos grandes erros do Brasil seja a falta de liberdade econômica e de um ambiente de negócios eficiente, agravado por um pensamento reducionista de que apenas a educação é suficiente para solucionar todos os problemas.

No Brasil, criticar a ideia de que a educação resolve tudo é considerado um tabu. Muitos críticos recorrem a exemplos como as universidades de Al-Qarawiyyin (859 d.C.) e Bologna (1088 d.C.), esquecendo que essas instituições surgiram muito após grandes avanços da humanidade como o domínio do fogo, a invenção da roda, a metalurgia da era do bronze e a construção de tumbas, pirâmides e templos e com o objetivo de sistematizar e transmitir conhecimentos necessários ao desenvolvimento econômico.

A combinação de um ambiente favorável à liberdade econômica com uma base sólida de educação gera um círculo virtuoso de prosperidade para qualquer sociedade.

A discussão sobre o que veio primeiro, iniciativa ou conhecimento, perde relevância em uma sociedade moderna, pois não há desenvolvimento sem ambos.

No caso do Brasil, o foco excessivo na educação e a negligência no ambiente de liberdade econômica representam um equívoco estratégico grave para o progresso do nosso país.