Inclusão Social Sustentável

Publicado em 7 de outubro de 2019 | Por Alexis Fonteyne

“Ensinar a pescar, ambiente de pescaria, vender o peixe e ser proprietário do resultado”

Por que continuamos com o discurso de combater a desigualdade como se isso fosse resolver algo no mundo?

Nicolas Pikety ficou famoso e insiste no discurso de distribuição radical de riquezas com propostas de modelos de tributações cada vez mais progressivas.

Falta nesta discussão toda uma análise tão antiga e frequentemente esquecida de causa e consequência. Onde está a visão sistêmica? Qual aula sobre ação e reação nós perdemos?

A desigualdade social não é causa de nada! A desigualdade é consequência da falta de combate à pobreza. Eu não tenho problema com a desigualdade, eu tenho problema com a pobreza! O combate à desigualdade não passa por uma simplória e forçada distribuição de riquezas, o combate à desigualdade passa pela geração de riqueza. Temos que atacar a causa e não ficar inutilmente combatendo as consequências.

Frequentemente escuto discursos pseudo óbvios de que o problema do Brasil é a falta de educação e que se todos tivessem uma excelente educação, acabaríamos com a falta de qualificação e haveria pleno emprego. Em discursos figurativos, escuto: “Temos que ensinar a pescar e não apenas distribuir peixes”, numa ideia de que pessoas qualificadas, naturalmente se viram e ganham o seu sustento. Isso não é verdade.

Não Há dúvida de que educação e capacitação são muito importantes e necessárias mas, lamento afirmar que não são suficientes. Sem um bom “ambiente de pescaria”, os nossos empreendedores talentosos simplesmente não desenvolvem o seu pleno potencial ou simplesmente mudam de país a procura de um ambiente propício para extrair toda a sua capacidade de gerar riquezas.

Exemplo clássico de que a capacitação e a formação não são suficientes para gerar riquezas é a extinta União Soviética, a Alemanha oriental, todos os países do leste europeu e Cuba. Em todos estes territórios, a educação era universal, de qualidade, rígida, integral e uniforme. Nesses países a população era formada para algum ofício, a capacitação, apesar de muitas vezes obsoleta, existia. Não havia espaço para “catervas”. Era uma obrigação dos regimes socialistas e comunistas mostrar a sua superioridade, havia uma competição de ideologias na educação, na ciência e nos esportes. Quem levava a maioria das medalhas nos jogos olímpicos? Quem colocou o primeiro homem em órbita?

Mesmo com toda esta formação, muitas vezes superior aos dos países ocidentais, esses países tinham três coisas em comum, não tinham liberdade, não geravam riqueza, eram pobres e iguais.

Por que as grandes mentes fugiam de seus países de origem para ir ao “medíocre” Estados Unidos da América? A resposta é a busca da valiosa e inegociável LIBERDADE. A liberdade para pensar, transitar, criar, se expressar, desenvolver e empreender. A liberdade é o bom “ambiente de pescaria”, é o complemento ao “ensinar a pescar”, onde, juntos, são necessários e suficientes, para gerar riqueza, combater a pobreza e, consequentemente, diminuir a desigualdade.

Esse ambiente de pescaria é o famoso ambiente de negócios, livre da burocracia desnecessária, que agrega custo mas não agrega valor, onde há um sistema tributário transparente, neutro, simples, intuitivo e equânime, onde há fartura de oportunidades, a livre iniciativa é valorizada, o Estado pouco intervém, a seleção natural age em favor dos mais eficazes e eficientes. No bom ambiente de negócios, os sistemas são integrados sem qualquer redundância, sem desperdícios de energia.

O ambiente de negócios se complementa quando ainda podemos vender livremente o nosso “peixe” e aplicar os resultados sem o temor do confisco, seja ele pelo autoritarismo ou pela legalização de leis socialistas que legitimam a sede de justiça dos incapazes, transferindo riqueza e incentivando o comportamento improdutivo e parasitário.

No Brasil há falta dos dois elementos, a educação nunca teve uma importância estratégica, há inúmeras experiências ideológicas, sem um planejamento sério de longo prazo. O ambiente de negócios é um dos piores do mundo, leis trabalhistas inibidoras de empregabilidade, excesso de regulamentações, sistema tributário caótico, confuso, gerador de contenciosos tributários e de exclusão social, sistemas independentes altamente eficientes na solicitação de informações redundantes e de punição automática ou seja, não temos nem formação de “bons pescadores” e nem “ambiente de pescaria”.

Não é para menos que temos 27 milhões de desempregados e subempregados e 23% dos jovens entre 15 e 29 anos não trabalham nem estudam.

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