A prosperidade de um país não é fruto do acaso, mas o resultado de instituições que fomentam a iniciativa individual, a inovação e o livre intercâmbio de bens e ideias.
Como defensor convicto do liberalismo econômico, sempre argumentei que dois elementos são cruciais nesse processo: a liberdade econômica e a educação.
A primeira permite que os indivíduos controlem seus destinos econômicos, com mínima interferência estatal, enquanto a segunda equipa as pessoas com o conhecimento necessário para navegar e contribuir para o mundo. No entanto, ao examinar o panorama global, fica claro que a educação, por si só, não basta para gerar riqueza sustentável.
Sem liberdade econômica, que inclui direitos de propriedade, baixa burocracia, comércio livre e uma justiça imparcial, o investimento em formação humana torna-se ineficaz, preso em estruturas repressivas que sufocam o potencial criativo.
Neste ensaio, explorarei essa dinâmica, demonstrando por meio de comparações entre nações que a educação sem liberdade é como um motor potente em um veículo sem rodas: pode roncar alto, mas não avança.
Concluirei que, embora a educação seja indispensável, sem liberdade econômica nada de substancial ocorre, e os governos deveriam priorizar os princípios da liberdade sobre expansões educacionais isoladas.
Os Pilares da Prosperidade: Liberdade e Educação em Harmonia
A liberdade econômica, conforme avaliada pelo Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation para 2025, mede o grau de autonomia dos indivíduos em suas escolhas econômicas, considerando fatores como proteção à propriedade, eficiência regulatória e integridade governamental.
Países com pontuações altas nesse índice tendem a exibir maior crescimento e redução da pobreza. A educação, por sua vez, é avaliada por métricas como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) da OCDE, que testa competências em matemática, leitura e ciências, ou por taxas de alfabetização e anos de escolaridade média.
Juntos, esses pilares criam um ciclo virtuoso: a educação fornece habilidades, e a liberdade as aplica no mercado, gerando inovação e riqueza.
Mas a relação não é simétrica. Estudos mostram que a liberdade econômica amplifica os benefícios da educação, enquanto nações com alto investimento educacional, mas baixa liberdade, estagnam.
Para ilustrar, vamos analisar três cenários reais, baseados em dados recentes de liberdade econômica, PIB per capita (em paridade de poder de compra, PPP) e indicadores educacionais.
Educação Sem Liberdade: Um Investimento Estéril
Imaginemos um país com um sistema educacional robusto: formação consistente, programas para superdotados, investimentos em laboratórios, engenharia, educação física, música e até exploração espacial. No entanto, sem liberdade econômica, com regime fechado, ausência de iniciativa privada e negação do direito à propriedade, esse conhecimento não se traduz em prosperidade.
Esse país não é hipotético: foi a União Soviética. Durante décadas, a URSS investiu pesadamente em educação, alcançando taxas de alfabetização próximas a 100% e formando cientistas de elite que conquistaram o espaço com o Sputnik e missões lunares.
Mas o regime comunista tolhia a liberdade, controlando a economia e reprimindo a expressão. Resultado? Enquanto avançava em tecnologia militar, enfrentava escassez crônica de alimentos, dependência de importações e colapso econômico nos anos 1980.
Atualmente, a Coreia do Norte exemplifica isso. Com investimentos em programas nucleares e mísseis intercontinentais, o país forma engenheiros e cientistas em universidades estatais, mantendo a alfabetização de 100%.
No entanto, com pontuação de apenas 3 no Índice de Liberdade Econômica 2025 (classificado como “reprimido”), sofre fome generalizada, escassez de bens básicos e um PIB per capita PPP estimado em menos de US$ 2.000.
Cuba segue o padrão: alfabetização de 99,8%, exportação de médicos qualificados, mas liberdade econômica de 25.4 (reprimida), levando a um PIB per capita PPP de cerca de US$ 12.300 e emigração em massa devido à pobreza.
A Venezuela, com educação pública acessível e universidades históricas, viu sua liberdade cair para 27.6, resultando em hiperinflação e PIB per capita PPP de US$ 8.785, com mais de 90% da população em pobreza. Esses exemplos provam: educação sem liberdade gera avanços isolados, mas não prosperidade coletiva.
Liberdade Sem Educação Formal: O Mercado Como Professor
Agora, consideremos o oposto: um país com grande liberdade econômica, mas sem programas estatais massivos de educação, onde o aprendizado é provido pela iniciativa privada, de forma descentralizada e sem interferência estatal.
Esse cenário puro é raro, pois a liberdade tende a fomentar educação privada e on-the-job. No entanto, existem aproximações, como Mauritius e Botswana, na África.
Mauritius, com pontuação de liberdade econômica em torno de 70 (moderadamente livre), atrai investimentos com baixos impostos e regulação flexível. Sua educação é moderada, não participa do PISA recente, mas tem alfabetização de 91% e foco privado.
Resultado? PIB per capita PPP de US$ 34.830, crescimento anual de 4-5% e redução da pobreza. Botswana, com liberdade de 69.9, enfrenta desafios educacionais (baixa conclusão do ensino médio), mas políticas pró-mercado em mineração e turismo elevaram o PIB per capita PPP para US$ 19.540, transformando-o de um dos mais pobres em 1966 para uma economia de renda média.
Aqui, a liberdade cria incentivos para aprendizado prático, atração de talentos estrangeiros e setores produtivos, compensando lacunas educacionais formais.
A Sinergia Perfeita: Educação e Liberdade Juntas
Finalmente, analisemos países com sistemas educacionais eficazes e total liberdade econômica: burocracia baixa, regulamentação essencial, justiça imparcial, combate à corrupção e segurança jurídica.
Singapura é o paradigma: pontuação de 84.1 no Índice de Liberdade Econômica 2025 (livre) e liderança no PISA 2022 (575 em matemática, 561 em leitura, 543 em ciências). Essa combinação transformou uma nação pobre em 1965 em um hub global com PIB per capita PPP de US$ 156.970.
A Suíça, com 83.7 de liberdade e scores PISA sólidos (508 em matemática, 503 em leitura, 483 em ciências), excela em inovação farmacêutica e financeira, com PIB per capita PPP de US$ 97.659. Esses casos mostram que, quando educação e liberdade se unem, o capital humano explode em prosperidade.
Priorize a Liberdade para Desbloquear o Potencial
As comparações revelam uma lição clara: a educação é muito importante, fornecendo as ferramentas para o progresso humano. Mas sem liberdade econômica, nada acontece, o conhecimento fica aprisionado, gerando ilhas de excelência em oceanos de miséria, como na Coreia do Norte ou Cuba.
Países como Mauritius e Botswana demonstram que a liberdade pode superar deficiências educacionais, enquanto Singapura e Suíça provam o poder da sinergia.
Estudos confirmam: a correlação entre liberdade econômica e prosperidade é de 0,8, superando isoladamente a educação. Portanto, os países incluindo o Brasil, deveriam se preocupar mais com os princípios da liberdade econômica do que com os da educação.
Reduzir intervenções estatais, proteger a propriedade e fomentar mercados livres não só atrai investimentos, mas também alinha a educação às demandas reais, criando prosperidade verdadeira.
Como liberal, afirmo: liberte a economia, e a educação florescerá como consequência.
O Brasil já perdeu tempo demais tentando colocar o telhado (educação) antes de construir o alicerce (liberdade).
Se você concorda que precisamos parar de inverter a ordem do progresso, faça essa mensagem chegar a mais pessoas.
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