O maior inimigo do empreendedor é o Estado

O Ambiente de Negócios no Brasil: por que seguimos desperdiçando talentos, riqueza e oportunidades

O Brasil tem uma energia empreendedora impressionante. Em cada esquina há alguém tentando criar, vender, montar algo do zero. Mas essa força extraordinária convive com um ambiente de negócios que parece desenhado para punir quem tenta produzir.

Participei recentemente de uma conversa no Instituto Millenium e ali ficou evidente uma síntese dura, mas necessária: o maior inimigo do empreendedor brasileiro é o próprio Estado brasileiro.

E não é força de expressão.

O peso de empreender num país que desconfia de quem produz

Eu comecei como tantos empreendedores começam: do zero. Sem herança, sem privilégio.


Passei por todas as fases. Microempresa, lucro presumido, expansão, contratação de equipe, crédito, risco, noites de incerteza e uma lista infinita de exigências que mudam conforme o humor do Estado.

E tudo isso moldou minha convicção:
boa intenção não paga boleto. E má legislação quebra empresa.

Por isso entrei na vida pública. Porque percebi que muitas decisões em Brasília eram tomadas por pessoas completamente distantes da realidade de quem gera emprego. 

Pessoas que nunca viram uma guia de recolhimento, nunca negociaram com fornecedores, nunca viram um fiscal aparecer com uma exigência impossível de prever. Ainda assim, criam regras que definem o destino de milhões de brasileiros que trabalham no limite.

O ambiente que expulsa talentos

O Brasil vive uma contradição cruel. Formamos bons profissionais, criamos jovens talentosos e temos uma capacidade criativa gigantesca.

 

Mas não temos um ambiente capaz de reter essas pessoas.

  • O resultado é óbvio:
  • Quem pode, vai embora.
  • Quem tem talento, busca países que ofereçam previsibilidade, liberdade e segurança jurídica.
  • Quem tem dinheiro, protege seu patrimônio fora.

Isso não acontece por acaso. Isso é racional e é consequência direta do nosso ambiente econômico, regulatório e jurídico.

E quando o país perde talentos, perde futuro.

A cultura que demoniza o sucesso e premia a mediocridade

 

O Brasil não só dificulta empreender, ele também desconfia de quem vence.

Por décadas alimentamos a ideia irracional de que riqueza é algo suspeito. Como se toda prosperidade viesse de exploração, e não de inovação, risco e trabalho duro.

Enquanto países que geram riqueza celebram seus empreendedores, aqui muitas vezes o sucesso é visto como ofensa pessoal.

Sem mudar essa mentalidade, não mudaremos o país.

Ativismo judicial: o custo invisível que destrói negócios

Se existe algo capaz de quebrar até o melhor dos empreendedores, é a insegurança jurídica.

Somos campeões mundiais de ações trabalhistas, temos um contencioso tributário que equivale a 70% do PIB.

 

Temos um sistema em que a regra vale… até alguém decidir que ela não vale mais.

Empresas são surpreendidas por decisões imprevisíveis, mudanças retroativas e interpretações absurdas. No Brasil, planejar é quase um exercício de fé.

E sem direito, não existe liberdade econômica, sem liberdade econômica, não existe desenvolvimento.

Regulamentações que se acumulam e nunca se encerram

Outro ponto central é a nossa compulsão por regulamentar tudo, até o óbvio, até o inútil, até o ridículo.

Criam-se regras não porque elas resolvem um problema, mas porque alguém teve medo de assumir responsabilidade.


E cada nova exigência vira custo, atraso, multa, dificuldade.


A consequência ninguém mede: a empresa que não nasceu porque o processo demorou; o emprego que não existiu porque a licença não saiu; a inovação que não aconteceu porque o empreendedor desistiu.

A Argentina está avançando num caminho de desregulamentação, e o Brasil continua preso na mentalidade do “é melhor proibir do que permitir”.

E seguimos empurrando nosso futuro para longe.

O mito de que educação basta

Existe uma frase que escuto o tempo todo: “o dia que tivermos boa educação, tudo estará resolvido”.

É uma falácia sedutora.

Educação é essencial, mas não é suficiente, boa formação sem ambiente de negócios é simplesmente exportação de cérebros.

Os países que mais cresceram no último século,  Estados Unidos, Europa, China, e Índia não começaram pela educação, começaram pelo mercado.

 

Criaram ambientes férteis, inovadores, abertos, competitivos.
E a demanda das empresas puxou a qualificação, não o contrário.

O Brasil insiste em inverter essa lógica.

O que muda com a reforma tributária

A transição será dura. Chamo de “purgatório tributário”, teremos um período de adaptação com dois sistemas operando ao mesmo tempo, mas havia necessidade urgente de simplificação.


Um país não pode ter um IPI que tributa tampa e balde de forma diferente, incentivando distorções surreais.


Não pode ter energia que vale imposto em um departamento e não vale em outro.
Não pode ter créditos que dependem da interpretação do fiscal da semana.

O novo sistema não é perfeito, longe disso, mas é um passo importante para sair do caos.

Empreender no Brasil exige coragem, cálculo e resiliência

No podcast, me perguntaram o que diria a alguém que quer começar um negócio hoje no Brasil.

Resumiria assim:

  • Vá com medo mesmo.
  • Planeje. Faça contas.
  • Não confunda inspiração com resultado.
  • Entenda que 10% é ideia e 90% é execução.
  • Não superestime o Estado. Ele atrapalha mais do que ajuda.
  • E nunca aceite a mediocridade como zona de conforto.

Quem empreende no Brasil vive perigosamente.
Mas também empurra o país para a frente, apesar de todos os obstáculos.

 

O futuro depende de nós

O Brasil precisa de um ambiente mais simples, mais previsível, mais livre, um país que pare de punir quem produz e comece a valorizar quem transforma.

É isso que defendo. É isso pelo que luto.

E essa conversa do Instituto Millenium aprofunda exatamente esse debate.

Quer aprofundar essa discussão?

Assista ao episódio completo do Instituto Millenium no YouTube:
“O Ambiente de Negócios no Brasil” com Alexis Fonteyne.

Clique aqui para assistir o episódio completo!

A reflexão começa aqui, mas a transformação depende de todos nós.

Para frente Brasil.